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2007
INÍCIO DA RETA FINAL
por Karl Bunn
Presidente da Fundação Samael Aun Weor
09/01/2007
Autor: Karl Bunn alerta e uma exortação de que 2007 é o ano,
cabalisticamente falando, do Peregrino, é o ano do Buscador, do
Iniciado. Pelo que ouvimos, o tempo está muito curto, o que significa
também que 2007 é praticamente o último ano que temos para começar um
trabalho real e concreto sobre nós mesmos.
Aqueles que ficam ainda se debatendo nas dúvidas primárias, na questão
elementar do "acredito/não acredito", estão perdendo seu tempo. Sempre
afirmamos que a Gnose não é para pessoas vacilantes, dúbias, que querem
estar em muitas escolas e ao mesmo tempo não estão em nenhuma delas.
Esses vacilantes precisam definir-se. Não que alguém vai atrás com uma
lança ou um tridente cobrando coisas. Temos que avisar aqui nesse
momento que o tempo de vacilações já passou. Aqueles que, de fato, estão
interessados em fazer alguma coisa em seu próprio favor, de seu trabalho
espiritual, esse é o último ano, magicamente o ano que soma 9.
Este é um ano especial para aqueles que já se decidiram, já começaram a
praticar inclusive, mas que ainda estavam levando suas práticas um tanto
quanto relutantemente. Sabemos que todos passam por dificuldades e que
os conflitos pessoais acentuariam- se na medida em que os anos fossem
passando.
Tenho visto em nossas comunidades que há pessoas com sérios problemas e
ninguém tem uma pílula mágica capaz de resolvê-los. Os conflitos
internos, cada qual tem que resolver na sua intimidade, no silêncio, no
encontro de si mesmo. E esse é o ultimo ano que temos para isso.
Ainda que as coisas sempre cheguem atrasadas ao Brasil, o que de certa
maneira gera uma vantagem, pois certos acontecimentos finais também
chegarão ao Brasil com uma sobrefolga de dois ou três anos...
Em 2010, terá triplicado, praticamente. os acontecimentos que hoje
assistimos e que já estarrecem a muitas pessoas. Lá pelo ano de 2012 em
diante, nem temos como discorrer sobre isso, porque justamente no dia 22
de dezembro de 2012 termina o tempo do não-tempo. O que significa que se
pode esperar de tudo, se não temos trabalhado sobre nós mesmos,
trabalhado no sentido do desapego. É muito fácil afirmarmos "Ah! Eu não
tenho apego. Ah! Para mim não tem problema!". Mas, em contrapartida,
quando perdemos um amigo, entramos em depressão, em desespero, mesmo com
todo o discurso de desapego.
O que podemos esperar, então, quando as coisas acontecerem numa
magnitude muito maior? Esta preparação emocional, psicológica, já era
para ser feita. Daí o tempo necessário para isso, para crescermos,
amadurecermos, avançarmos em relação a estes mesmos desapegos.
Agora, se estávamos ou estamos vacilantes, se não conseguimos superar
esses conflitos elementares, então podemos inferir que à medida que os
anos forem passando, esses conflitos levarão-nos ao desespero, à
loucura.
Não estamos jogando palavras ao vento, nem queremos gerar um clima de
pânico, como inadvertidamente acabamos fazendo. Não porque geramos isso,
mas só ao falar dos acontecimentos finais, muitas pessoas ficam
realmente apavoradas. O nosso objetivo não é gerar pânico e sim preparar
os espíritos ou dar as indicações para que cada qual prepare o seu, uma
vez que ninguém pode fazer o trabalho por outro.
É claro que nessa época atual, palavras, intenções e objetivos sempre
são deturpados. Muitos que ouvem isso, lêem essas coisas ou uma mensagem
como a Gnose, tomam-na pelo lado negativo, como uma ameaça.
Em nossa modesta visão, são tontos, pois estão desperdiçando um aviso
que a Divindade deu em vez de trabalhar para superar suas limitações,
estar com o espírito pronto, amadurecido para a vida difícil que se
avizinha. Desdenham dessas coisas, riem, criticam, atacam... Isso é a
humanidade, isso somos nós, não há como mudar.
Por isso mesmo, somos aqui [no PALTALK] um pequeno grupo, que em certos
dias congrega vinte e poucas pessoas, outro dia menos de vinte, houve um
tempo em que eram mais de quarenta e assim cada qual vai levando sua
própria vida como lhe parece melhor. Nosso dever é avisar sobre essas
coisas, alertar que esse ano de 2007 é um ano muito significativo para
quem quer construir algo dentro de si, espiritualmente falando. As
ferramentas para construir isso foram dadas aqui mesmo por dezoito
meses; há muito material disponível, já são mais de cem horas de
gravação. Esse não é um canal noticioso, de novidades. Quem quiser ouvir
novidades deve ler jornais, assistir televisão, ou ir à banca da esquina
e comprar jornais e revistas para encontrar novidades.
Aqui trabalhamos sempre com os mesmos temas e, mesmo assim, já abrimos
demasiado, devíamos ter focado mais vezes os mesmos temas.
Mas sabemos que, para a mente ocidental, para a mente novidadeira, esta
repetição acaba criando mecanismo de rejeição: mesmo ouvindo, passamos a
não escutar.
Queríamos aproveitar para buscar essa conciliação, a sintonia em relação
ao momento que estamos atravessando. E trabalhar em cima das práticas
para esse ano de 2007. Repassar alguns elementos importantes para
aqueles que querem levar adiante um trabalho consistente, concreto,
eficiente nesse caminho espiritual. E, dentro deste contexto, estamos à
disposição para comentários e questionamentos sobre esse trabalho ou
sobre as dificuldades encontradas. Talvez nem tudo possa e deva ser
comentado hoje dentro deste contexto aqui apresentado.
Alguém pergunta: "a partir de que momento do trabalho, desenvolvemos o
centro de consciência permanente, e como ele se expressa na vida
diária?". Ele cristaliza-se depois de muito tempo de trabalho de auto-
observaçã o, de autolembrança de si mesmo; isso não é uma coisa para
algumas poucas semanas, alguns poucos meses. O desenvolver e cristalizar
do centro permanente de consciência é a mesma coisa que dizer,
desenvolver a Bodhishita dentro de nós e isso é um trabalho de muitos
anos. Devemos ter isso em vista, mas não fantasiarmos de que vai ser
conseguido rapidamente.
Não nego a possibilidade de que possa ser conseguido rapidamente, pois
há pessoas a quem nós atendemos nesses anos todos, e acompanhamos no seu
trabalho espiritual diário, que desenvolveram seu centro permanente em
dois anos. Mas isso é uma exceção, são pessoas que disciplinaram- se a
trabalhar pesadamente, já vieram com trabalho espiritual feito em vidas
anteriores. Tudo isso faz com que esse fator tempo aqui denominado
reduza-se. Mas o normal da condição de 99% das pessoas que chegam à
Gnose hoje é um trabalho de cinco a sete anos. Isso se trabalhar bem, do
contrário serão quatorze, quinze anos, o normal é mais de vinte anos,
pois a dura realidade da comunidade gnóstica internacional é que ninguém
trabalha sobre si.
Foi uma grande surpresa nos anos noventa quando, aqui na Fundação,
instituímos para oficiantes e para instrutores um mínimo de duas horas
de prática, de meditação por dia. Mas isso se deu em função da
constatação na época de que a média de prática dos chamados gnósticos no
mundo, não chegava a trinta minutos diários. O normal é que cada um
fizesse dez, vinte minutos de um rápido exercício de retrospecção do
dia. Então como vai se formar um centro permanente de consciência
fazendo-se zero de trabalho por dia?
Agora aqueles que se dispuserem a trabalhar, primeiro compreendam a
natureza da Doutrina Gnóstica, a natureza desse trabalho, o que é o
caminho iniciático. Depois de haver compreendido tudo isso, sabendo das
dificuldades e das implicações, acima de tudo, de um trabalho como esse,
expresse, em contrapartida, em termos de trabalho prático diário e
interrupto.
Não existe sábado e domingo para quem quer o caminho, existe apenas o
dia. E o dia é feito de horas, aproveitem essas horas. Muitas pessoas
alegam não ter tempo para fazer práticas, mas passam duas horas por dia
na frente da televisão e ainda toda noite ou duas, três vezes na semana
alugam filmes, DVDs na locadora e ali já se vão mais quantas horas?
Se, ao invés de pegarem esse tempo para ficar vendo filmes, novelas,
noticiários, revistas, etc., usarem para fazer meditação, teriam o tempo
necessário. A crua realidade dos fatos é que somos demasiadamente
débeis. Entendemos a debilidade e nós mesmos fomos assim por muitíssimos
anos. Perdemos um tempo muito grande, não entendíamos a natureza do
trabalho, a natureza do caminho, suas implicações, até "cair a ficha" e
vermos todo o cenário de uma maneira muito clara, muito concreta, de
maneira palpável. Perdemos muito tempo ou foi o tempo necessário que,
particularmente, gastamos para fazer isso com segurança.
Até porque aquilo que ensinávamos não podia ser feito
irresponsavelmente, não podíamos ensinar algo que não tivéssemos
experimentado antes, pois senão não teríamos segurança para dizer e
afirmar certas coisas.Hoje é diferente, conhecemos mais, vimos as coisas
mais claramente, temos uma consciência muito maior do que aquela que
tínhamos então. Cada um vai passar por esse mesmo processo.
Sintetizando tudo isso, resume-se a trabalhar diariamente. Para nós
aqui, na época, estabelecemos duas horas de prática por dia como mínimo
para um instrutor da FUNDASAW, isso surpreendia muita gente.
Pessoalmente, surpreendo-me como achávamos difícil fazer duas horas de
prática e isso é nada absolutamente.
Devemos aumentar isso para três horas, quatro horas. Como podemos fazer
isso? Depende da profissão ou da ocupação de cada um. Então, cada qual
tem de buscar dentro dos seus compromissos normais e da sua
sobrevivência diária, os seus horários para isso. Provavelmente vai
implicar em levantar mais cedo, pois que levantemos às quatro, quatro e
meia ou cinco horas. Cada qual define seu horário de despertar.
Entretanto, dar-se-á um grande salto quando pudermos incluir em nossa
rotina diária duas horas de prática pela manhã, mais uma hora pela noite
antes de ir para a cama. Teremos três horas de prática: meditação,
mantras, práticas devocionais.
E, durante o dia, trabalhar muito na autolembrança, na autorecordação,
na auto-observaçã o, justamente aquela hora de meditação noturna antes
de ir para a cama seria destinada para fazer reflexões acerca de tudo
aquilo que aconteceu durante o dia.
Fazer tudo isso sem pressa, sem tensão, sem estresse. Ter o sentido da
responsabilidade de fazer esse trabalho, mas não fazer isso de má
vontade, pois se o fizer é porque não entendeu nada. Então, primeiro
precisa voltar e compreender a natureza desse trabalho, uma vez que não
o compreendeu ainda e, se não o compreendeu, faz as coisas de forma
errônea e aí não há resultados.
Não que devamos buscar resultados, assim como nos alimentamos três,
quatro vezes ao dia, não para buscar resultados, mas por necessidade. Da
mesma forma, devemos fazer práticas por necessidade, não para buscar
resultados. Assim, a própria prática torna-se um exercício relaxante e
eis que surge o que o Mestre Samael dizia: "amor ao trabalho".
Se alguém quer fazer esse trabalho sem amor, e o amor não vem sem haver
compreendido a natureza do trabalho e do caminho, começa mal,
provavelmente até fazendo um trabalho inútil, seria melhor nem fazer se
for para realizar dessa maneira.
Sobre construir um centro permanente de consciência, ele cristaliza- se
em função de trabalhos realizados. Não adianta perseguir
desesperadamente esse centro, não é uma meta a ser alcançada, é um
resultado natural que ocorre em função de um trabalho feito, realizado
com amor ao trabalho, é isso que precisa ser entendido. Tirar de nossa
mente, nossa vida, essas fantasias todas.
Não adianta alguém pegar um japamala, por exemplo, e começar a repetir
mecanicamente mantras, invocações ou orações todos os dias.
Isso de pouco serve, pois um papagaio pode fazer a mesma coisa. Temos de
estar voltados para isso, voltados a fazer nossa prática, naquele local
mais oculto de nossa casa física e também da interior. E ali onde
ninguém nos veja, façamos nossas orações, nossos diálogos com nossa
Divindade anterior.
Uma determinada pessoa comentava: "mas a quem eu devo rezar?". Essa é a
dura realidade: as pessoas quando chegam à Gnose, nem sabem a quem deve
rezar. Chegam à Gnose oriundas de religiões cristãs e nelas ensinaram a
elas a rezar para Jesus, pois ele é o filho de Deus.
A Gnose afirma que existem os Mestres e que não existe Deus, mas existem
Deuses, então a pessoa entra em confusão: "mas... E agora? A quem eu
devo rezar?". A pergunta é pertinente, mas revela, ao mesmo tempo, nosso
grau de ignorância espiritual.
A partir dessa realidade de zero espiritual que temos para trabalhar,
pode ser que alguns tenham 0,1% de esclarecimento espiritual, mas
outros, além de zero, começam a caminhar para menos zero, à medida que
querem fazer de seu próprio cérebro um liquidificador de doutrinas
contraditórias, misturando ensinamentos pertinentes ao lado negro e ao
lado branco, achando que tudo é a mesma coisa. Desde que tenha amor,
tudo vale.
Uma coisa é o discurso do amor. E digo a vocês que os tenebrosos são
mestres no discurso do amor, da paz, da justiça, e é por ai que eles
enganam esses que têm seu centro emocional frágil, pois isso é um apelo
ao emocionalismo, ao sentimentalismo. Essa é a realidade espiritual do
mundo neste momento.
Nem quero aprofundar muito sobre determinadas características, porque a
simples menção de determinadas práticas já seria chocante para muitas
pessoas e, tomando esses cuidados, já somos acusados de muitas coisas,
imaginem quando, às vezes, tornamo-nos mais enfáticos ao sugerir que nos
afastemos de certas práticas muito aceitas, certos ambientes muito
freqüentados. Essa é a dura realidade nossa e os tempos estão se
fechando agora, se temos que tomar uma decisão, tomemos em favor de
nosso próprio Pai que está dentro de nós mesmos.
Se não sabemos a quem rezar, o Mestre Samael diz que, em certa altura de
sua vida, quando ainda estava na busca do caminho, cansado de tanta
teoria, exausto de tanta informação desencontrada, decidiu afastar-se do
mundo. Foi morar numa choupana de pescador no mar do Caribe e ali
durante tempos, enquanto fazia uns biscates para ter o que comer durante
o dia, entregou-se à meditação. A meditação dentro da Gnose é dita como
sendo o alimento diário do sábio. Um capítulo do livro Psicologia
Revolucionária está denominado de "O Pão Supersubstancial" .
O Dalai Lama medita três horas por dia de manhã, os lamas, os sábios, os
místicos do Tibet têm os traseiros chatos por passarem horas e horas
sentados em padmasana a vida inteira, meditando com a finalidade de
anular a mente e os processos mentais.
E nós, agora com mero dez minutos, cremos de fato que vamos conseguir
alguma coisa palpável e concreta neste caminho espiritual? Vamos tirar a
ilusão, se queremos fazer um trabalho sério, vamos nos olhar na frente
do espelho, olho no olho conosco mesmos, vamos assumir um compromisso,
decidir realizar algo sério pelo menos a partir desse ano de 2007,
cabalisticamente, nove, uma nova oitava. Essa nova oitava terminará no
ano 2016 e até lá quem saberá que transformações o mundo terá passado e
se nós ainda estaremos aqui?
Esse despertar da consciência, dar-se conta da gravidade do momento e da
necessidade de fazer um trabalho concreto sobre nós para deixarmos de
ser tão materialistas, tão voltados para as coisas do mundo exterior.
Temos que nos voltarmos mais para o mundo interior.
Um bom começo, seria nesse ano de 2007, começar com três horas de
meditação, duas horas pela manhã e uma hora à noite antes de ir para a
cama. Porque muita gente deita na cama e diz que faz duas horas de
prática, mas não é bem assim. É preferível fazer uma hora de prática
sentados ao pé da cama em posição Zen, ou padmasana os que conseguem.
Tratar de estudar retrospectivamente o dia, tomar consciência de seus
erros, tratar de ver suas mecanicidades, buscar encontrar dentro de si
uma atitude positiva após uma autocrítica, mas sem culpa. Isso que nos
ensinaram aqui no Ocidente de culpabilidade é um problema sério, pois o
ego para se esconder faz-se de "coitadinho" e esse é um tremendo
obstáculo. Não temos que nos fazer de "coitadinhos" , temos que,
simplesmente, olhar-nos de frente, para dentro de nós, no espelho da
autoreflexão interior profunda, evidente do Ser, como dizia o Mestre
Samael.
Com paciência, fazendo isso dia após dia, gradativamente, vamos nos
tornar mais profundos, mais exatos na autopercepção, na auto-análise, na
contemplação de nós mesmos e de nossas próprias realidades interiores.
Comentou-se muito das bases fundamentais, das quatro nobres verdades,
das paramitas, o óctuplo Sendeiro de Buda, do Selo Hermético, Bhakti
Yoga, Karma Yoga, dialética da consciência.. . Toda essa base já foi
dada ainda que com o auxílio, é claro, das obras que estão disponíveis.
Sempre que necessário devemos lançar mão disso para refrescar muitas
vezes nossa memória ou para proporcionar uma chispa de compreensão ao
rever um determinado ensinamento.
E assim sem pressa, sem tensão, mas seguramente avançando, realizando o
trabalho naturalmente, esse Centro de Consciência Permanente vai
cristalizando- se dentro de nós, a consciência vai ancorando em nós.
Temos uma consciência, mas está espalhada, dispersa, não está ativa,
está adormecida, reage em função dos condicionamentos da própria mente,
do próprio ego.
É esse mecanismo que temos de desarmar, esse jogo que devemos jogar na
meditação. Ficar observando a própria mente, observando os "macacos"
pularem agitadamente de galho em galho, sem finalidade nenhuma. Mas eles
pulam. Dominar a mente é um dos primeiros passos, não esquecer de nós,
expressarmos a conduta reta, tantas vezes mencionada.
Com todo esse ferramental, esse conjunto de atividades, gradativamente
nosso mundo interior vai modificando- se. Temos de fazer nossa parte
primeiro, para que a mudança aconteça. Se alguém perseguir uma mudança
ela foge, não se consegue nada perseguindo, mas sim permanecendo sereno,
tranqüilo, em paz, centrado em si mesmo. Só assim as coisas
consolidarão- se em torno de si mesmo. Enquanto estivermos agitados como
pedras rolantes, é claro que nada vai aderir.
Alguém comenta ou pergunta aqui "Estas práticas meditativas costumam
reduzir o tempo de sono de oito para três horas?". Acho muito difícil
alguém reduzir para três horas, eu reduzi para quatro, cinco horas bons
tempos na vida enquanto estava fazendo experiências comigo mesmo. Agora
encontrei um outro ponto de equilíbrio que me parece mais adequado, mas
é possível umas cinco horas sem se desgastar.
Um dos obstáculos que temos é exatamente esse, se levantamos cinco horas
da manha e deitamos às dez, onze horas da noite, então ficamos um largo
período acordados. A natureza mostra claramente em fatos que todo animal
precisa, nesse meio tempo, de repouso.
Aqueles que puderem, na hora do almoço, tirar para si 15, 20, 30 minutos
para repousar, para tirar uma soneca ou fazer alguma prática interna
como sempre fazia o Mestre Samael, isso vai dar um alívio no sistema
nervoso, no sistema parassimpático. É altamente aconselhável, mas sei
que na cultura e no mundo desumano de hoje, poucas empresas oferecem
essa possibilidade, esse repouso na hora do almoço.
Aqueles que moram em cidade menores podem desfrutar disso. Aproveitem!
Façam isso! Agora quem mora em cidade grande realmente é difícil. A
escolha que teriam de tomar é mudar de cidade, sair do caos infernal
para uma outra condição ou mudar de emprego, mesmo que na mesma cidade.
Sacrificar algumas coisas e trabalhar menos, para que se possa ter mais
tempo para si e para este trabalho, isso realmente é importante. É claro
que nenhum de nós vai poder abandonar tudo, aqueles que têm compromisso
de família, são casados, têm família para sustentar, não podem ser
levianos a ponto de largar tudo. Mas podem gradativamente mudar a sua
condição, reduzir compromissos, reduzir gastos, trabalhar menos.
Buscar alternativas sem pressa, buscando o apoio da Lei, comprometendo-
se com a Lei, fazendo isso, digo a vocês que as oportunidades abrem-se.
Mas cada oportunidade que nos é aberta a partir desses meios aumenta
mais nosso compromisso e responsabilidade. Melhor não negociar nada com
a Lei Divina se não temos a certeza e a segurança de cumprir com o
juramento.
O que realmente é a causa dos fracassos, é porque não criamos o hábito
de fazer as práticas, começamos a fazer essas práticas hoje, sustentamos
essa rotina durante uns quantos dias e então surge um acontecimento
qualquer, um convite para uma festa, uma reunião de amigos, um
aniversário não sei de quem, uma oportunidade de ir à praia e no impulso
vai-se. Ao voltarmos, já não é mais a mesma coisa, algo afetou, balançou
e não temos a força necessária, o thelema, para retomarmos essa vida.
O que precisamos entender é que se alguém quer esse caminho, deve
transformar- se num monge na sua própria casa, na empresa, no trabalho
em que está. Tem que encarnar esse princípio do monge, fazer seu
trabalho, enquanto trabalha. Isso da conduta reta, do amor Ágape, isso
da ética superior, abordada no tema das paramitas.
São ferramentas formidáveis que nos permitem trabalhar concretamente com
fatos, não na teoria, filosofia da Gnose, mas nos fatos concretos. Cada
qual tem que achar a sua maneira de resolver isso, todos nós sabemos que
precisamos fazer trabalhos concretos, práticos, cumprir uma rotina de
práticas esotéricas diárias, sem falhar nenhum dia.
Recentemente, alguém me consultou: "Ah! Estou pensando em "dar um tempo"
nas minhas práticas, o que você acha disso?". Ele já sabia qual era o
meu pensamento, mas mesmo assim escreveu. As pessoas sabem, mas duvidam
daquilo que sabem, querem buscar em alguma palavra nossa um motivo para
"dar um tempo", só que esse "dar tempo" é igual a morrer, jogar fora o
trabalho, uma vez que muito pouco resta.
Se viemos de uma rotina de trabalho de seis meses, duas horas por dia, é
claro que isso gera um resultado interior, pode não ser muito, mas já
tem alguma coisa dentro de si, percebe-se que houve mudanças dentro de
si.
Então diz: "vou dar um tempo". Uma semana que passa ele volta ao zero,
se algum dia retornar (e foi o que eu disse a essa pessoa) e se retornar
vai ser muito mais difícil. O inimigo que está dentro de nós gerou
resistências, defesas naturais muito mais poderosas que estarão
esperando este pobre estudante para quando ele tentar voltar, se é que
vai voltar. Estatisticamente, a maioria não volta.
O que a Gnose ensina como um conhecimento universal, o Budismo, o
Cristianismo original também ensina. Ela pode ser tomada e aplicada em
muitas atividades humanas. Podemos levar esses princípios para nosso
ambiente de trabalho. Tanto isso é verdade que um consultor empresarial
escreveu um livro chamado O Monge e o Executivo e ganhou milhões de
dólares e hoje cobra cinqüenta mil dólares para fazer uma palestra de um
dia sobre esse tema. Esteve recentemente aqui no Brasil, em São Paulo e
Curitiba também, e qual foi o pulo do gato dele?
Ele fez um estudo dos valores ensinados por Buda, por Cristo, por
Krishna, por Pitágoras, todos os sábios da humanidade e fez os devidos
paralelos com o ambiente corporativo. Parabéns para ele! Teve a
inspiração, acreditou e correu atrás, teve a ousadia de lançar um
trabalho e colheu os resultados, uma pessoa que é aplaudida em muitos
lugares.
Um dia desses, nas férias, estava falando com uma pessoa que estava em
conflitos, não sabia o que fazer. A pessoa queria ir para o reveillon e
me perguntou o que eu achava. Eu disse: "bom, o que você fez todos os
anos anteriores?" . Ela disse: "sempre fui para o reveillon". Eu
respondi: "então faça alguma coisa diferente esse ano, não vá para
reveillon nenhum". Por circunstâncias, ela acabou perdendo a
oportunidade. Sugeri para que fosse fazer um retiro num monastério
budista, não conseguiu ir, pois tomou a decisão em cima da hora, mas com
isso evitou repetir o padrão de todo ano, que era cair na gandaia, de
certa maneira, ou ir para diversão com os amigos. Indiquei esse livro, o
Karma Yoga e outras práticas mais, em vez de sair para se divertir.
Quebrou a rotina e essa quebra de rotina pode ser o início,de um
trabalho, de uma mudança profunda na vida das pessoas.
Ela me comentava exatamente que, na empresa em que trabalha, realizaram
um seminário com esses princípios contidos no livro O Monge e o
Executivo, mas as pessoas não incorporaram esses valores, ouviram o
conferencista e a vida segue, não houve mudança de atitude nos diretores
da empresa, então o mundo segue girando.
Obras como esta, efetivamente contribuem para uma mudança e uma melhoria
nas condições de trabalho. Caso apenas entrar por um ouvido e sair pelo
outro, deixando um registro na memória sem que haja uma iniciativa
concreta, é só papagaiar, não sair do lugar, nada muda.
A mesma coisa acontece com as doutrinas, se pegarmos os seus princípios
e implementa-los, seja numa instituição como a de recuperação de
dependentes químicos, numa empresa ou nossa vida pessoal, é claro que as
coisas começam a mudar. Mas para isso é preciso ter um poder de vontade.
Porque toda vez que alguém começa a fazer um trabalho à frente de uma
instituição, surge uma oposição tremenda, esta oposição que surge fora
toda vez que alguém quer fazer um trabalho, surge pois está dentro de
nós.
È só alguém querer implementar em sua vida pessoal uma disciplina de
trabalhos espirituais, essa resistência surge dentro dele, o que, em
Gnose, damos o nome de o Demônio Caifás, da má vontade. Aquele que opõe
resistência a tudo, o que condena e entrega o Cristo à crucificação.
Todos esses princípios de luz e de trevas estão dentro de nós,
autoconhecimento é pesquisar. Não se faz da noite ao dia, demora-se,
sofre-se, cai-se muitas vezes, mas nenhum Mestre está ali com uma
maquininha de contar quedas, eles não olham isso, só olham se o
discípulo continua na luta, mesmo tendo tombado novecentas e noventa e
nove vezes. Olham o espírito de luta e darão quantas oportunidades forem
necessárias para ele continuar na guerra. Agora se cai e aproveita e
tira uma soneca no chão, é claro que oportunidade nenhuma merece.
Essas coisas elementares e simples é que temos de considerar nesse
trabalho, não ficar com tantas teorias. Infelizmente, dentro da Gnose,
conseguimos transformar uma doutrina num amontoado de fantasias,
princípios rígidos ou leis incompreensíveis, quando o que o Mestre
Samael e outros Mestres quiseram foi é passar um sistema prático de vida
e não sistemas complexos que servem apenas para afiar o intelecto.
O conhecimento é dado, trazido ao mundo, mas cada qual utiliza como
quer, não se tem, nem se pode ter o controle sobre isso. Cada qual é
livre para escolher o que quer fazer, ninguém é obrigado a acreditar em
Gnose, em Samael, em Avatares, em coisa nenhuma. Mas respeite aqueles
que acreditem, deixe o outro acreditar, se alguém vem pedir ajuda,
ofereça ajuda, se é que tem algo a oferecer.
No Sutra da Mente consta um ensinamento budista dado a um grupo super-
reservado de Buda quando esteve entre nós no mundo. Nesse sutra é
comentado o seguinte: quem teria maior mérito? Aquele que tivesse
tesouros suficientes para encher três universos inteiros e doasse isso
para caridade, teria um grande mérito, mas o mérito maior, ensinou Buda,
é aquele que pegasse quatro linhas ou princípios de uma doutrina santa e
ensinasse isso às pessoas para que elas pudessem livrar-se da dor, do
sofrimento e do Samsara, esse teria maior mérito, e não aquele que doou
o tesouro do tamanho de três universos, não de três malinhas.
Comparativamente, valeria mais aos olhos da lei aquele que simplesmente
ensinasse quatro linhas de um ensinamento redentor. Isso é motivo de
reflexão.
È evidente que para ensinar quatro linhas de um conhecimento,
primeiramente precisamos compreender essa doutrina, porque do contrário,
possivelmente, ainda vamos adulterar essas quatro linhas.
Precisamos ensinar algo de uma doutrina legítima, doutrina brancas como
denominamos aqui e ensinar isso a outras pessoas. Esse é o terceiro
fator de revolução da consciência. Agora como ensinar se nem a
compreendemos? Aí está um dos desafios. Queremos ensinar sessenta e três
livros, trezentas conferências quando nem entendemos a primeira linha e
só deveríamos ensinar a primeira linha desse ensinamento, assim
estaríamos agindo corretamente.
Percebam como é sutil, delicada, toda essa questão do ensinar,
compreender, do dar, movimentar-se nesses desdobramentos dessas
realidades cósmicas. Alguém que conhece uma doutrina salvadora, que
possa liberar do sofrimento do Samsara, começa a praticar e depois a
abandona porque não consegue superar as resistências de si mesmo e
desiste, só por ele mesmo atrairá maiores sofrimentos.
O sofrimento dá-se em função da dor e do prazer, sofrer também gera mais
sofrimento, prazer também gera mais sofrimento. O sofrimento e o prazer
são apenas duas faces de uma mesma moeda nesse mundo da forma, temos de
ir para o Vazio, para o Nirvana, sair do mundo da forma e diluir-se na
não-forma que se chama Nirvana.
O Nirvana não é um lugar, é um estado de consciência e isso nos remete
ao que a Gnose diz: ir além da dualidade da mente. Enquanto estivermos
sendo moídos, esmagados pela dualidade da mente, dor e prazer, sim e
não, feio e bonito, esses princípios da forma só nos gerarão mais dor.
Liberdade só haverá quando fugirmos da dualidade da mente, muitos sonham
com liberdade, alimentando a dualidade mental, isso é um absurdo, não
têm idéia do que estão fazendo.
Oxalá sejamos claros em expressar isso, colocando certos princípios
dessa forma. Então, vence aquele que persevera. Os Mestres, os Deuses,
eles não estão ali para contar nossas quedas, isso é normal, é parte do
aprendizado. Não há como se fazer consciência e renunciar à dor ou ao
prazer sem ter vivido a dor e o prazer.
Aceitação e rejeição, não temos que aceitar nem rejeitar, temos que
achar a compreensão, o vazio, a consciência, romper os apegos, os
lastros, e isso se dá pela compreensão. Gradativamente, vamos
construindo nossa libertação e não precisamos acreditar ou não em Deus,
pois isso é da dualidade da mente, devemos ver o aspecto vazio que está
entre os dois. Esse é o único desafio que nós temos.
Despertar a consciência é cair no vazio, viver na compreensão, não na
dualidade dos extremos.
Muitas pessoas, para fazerem o trabalho, querem uma motivação, mas a
motivação que elas buscam é a motivação da cenoura na ponta da vara, de
uma recompensa, um prêmio. Neste caminho esse tipo de motivação não
serve. As empresas, como motivação, oferecem recompensas pecuniárias,
dinheiro ou promoção e assim jogam o seu jogo de sedução, de tentação.
A única motivação nesse caminho é superar o Samsara, o mundo da forma,
diluir-se no vazio, encarnar o Cristo, o Buda. Isso são formas, palavras
que usamos para dizer a mesma coisa, transmitir uma realidade que nos
escapa aos cincos sentidos ordinários. Se tivéssemos pelo menos o sexto
sentido aberto muitas dessas explicações tornariam-se ridículas e
desnecessárias.
Aí estaria uma boa motivação, porém todo novato faz essa pergunta: "mas
porque devo praticar isso?". Quando nós, como instrutores, também éramos
novatos ou simples estudantes, a gente dizia: "ah... Para despertar seus
poderes, alcançar a felicidade ou para você poder viajar em astral".
Isso é tudo bobagem, cenoura na ponta da vara para motivar o burro a
puxar a carroça, motivar a seguir com o Samsara, aprisionados neste
mundo como escravos das ilusões.
Para mim, a maior motivação é liberar-se de todos esses mecanismos,
realizar o vazio dentro de nós, não como algo a ser perseguido, mas como
uma expressão que precisamos utilizar para transmitir que algo acontece,
mas que, por nossa cegueira, surdez, nos afastamos e nos esquecemos
dessas coisas.
Então, muitas vezes temos de dizer a um novato: "não para despertar seus
poderes". Isso porque talvez ele queira poder no começo. Então
precisamos esticar uma varinha e colocar uma cenoura na ponta, senão nem
sequer ele motiva-se a estudar. Entretanto, se queremos avançar nesses
ensinamentos, esqueçamos isso, agora é hora de sentar em padmasana e
achatar nossos traseiros, entrar em meditações dia após dia, até algo
acontecer, mudar, até havermos ultrapassado as trevas de Maya ou deste
véu que nos prende ao mundo da forma.
Não tem outra maneira de explicar esses princípios ou realidades. O
Mestre Samael falou que se não tivesse experimentado o vazio iluminador
quando tinha dezoito anos de idade, não teria se lançado a esse caminho
com tanto ardor, empenho, motivação. Mas para que ele experimentasse
esse vazio iluminador aos dezoito anos, se vocês lerem o livro As três
montanhas, verão que desde os quatorze anos ele se empenhou em fazer
muitas práticas e foi na Fraternidade Rosa Cruz que aprendeu as práticas
que, naquela época, lhe deram os melhores resultados e, como ele mesmo
diz, na Teosofia ele aprendeu a fazer lindas e maravilhosas palestras,
mas não aprendeu prática nenhuma.
Ele só aprendeu as práticas na Rosa Cruz Antiga, nos livros de Krumm
Heller, de cujos livros, na época, ele retirou a fórmula, e depois a
aperfeiçoou, da Alquimia Sexual. Cometeu erros no começo em relação a
isso, mas corrigiu. Se alguém tiver a felicidade de experimentar esse
vazio iluminador, que o Mestre Samael consegui experimentar, vocalizando
uma hora diária os mantras por ele mesmo ensinados no livro As três
montanhas, quem sabe alguém de nós seja abençoado com uma experiência
dessa. A minha motivação não passa por ai, é outra, não serve
praticamente pra ninguém.
Agora, aqui mesmo na Fundação, houve pessoas que tiveram experiências
similares a essa e esse foi um fator definitivo nas suas vidas para se
lançarem às práticas com mais intensidade e inclusive alargar o número
de horas diárias. Aqui entre nós há pessoas que realmente praticam seis
horas de meditação diária há muitos anos. O que falamos aqui não é
bobagem, é constatação do trabalho coletivo desta instituição, parte da
história da instituição que representamos. Não quer dizer que somos
melhores, nem melhores nem piores, pois isso é da dualidade mental,
estou apenas relatando fatos sem pretensões.
Alguém nos pergunta o que eu quero dizer quando o estudante alcançou
algo de concreto. Uma experiência do Vazio Iluminador, um desdobramento
consciente desde o momento que ele descola do seu corpo, sai do seu
quarto, vai a algum lugar, faz o que tem de fazer, vê, examina, toca,
dialoga, toma um suco e depois, sem nunca ter perdido a consciência,
retorna a seu corpo físico, percebendo como se dá o encaixe, uma
percepção clarividente de um elemental, um diálogo com algum Mestre da
Loja Branca e trás a lembrança até o cérebro, despertar Kundalini,
ativar os chakras, tudo isso é concreto.
Essas coisas, sim, dão motivação para a pessoa. Por outro lado,
conhecemos pessoas aqui na Fundação e fora daqui, que foram instrutores
e que tinham muita facilidade para sair em astral. Eles relatavam
experiências fabulosas, até para a inveja de muitos irmãos que
praticamente nunca saíam em astral. No entanto essas pessoas com tais
habilidades afastaram-se da Gnose. Com isso quero dizer que o mundo
astral e suas experiências são muito ilusórias e quando falamos no Vazio
é ir além dessas dualidades mentais e dos fascínios dos paraísos
moleculares. Devemos ir além de todo e qualquer fascínio e o mundo
astral fascina a muitas pessoas.
Dentro da Gnose fala-se muito em sair em astral. O Mestre Samael tinha
um propósito quando ele começou a Gnose de ressaltar o desdobramento
astral e falou isso de tal maneira em seus livros que quem lia achava
que era só fazer aquilo que naquela noite ele saía em astral, e a partir
daquele dia ele sairia em astral a hora que quisesse. Este é um engano,
decepcionou muita gente, o próprio Mestre Rabolu, que sempre enfatizava
muito a questão da viagem astral, de certa maneira, decepcionou- se ao
ver os fatos concretos na sua escola. Raríssimos conseguiam sair em
astral, apesar de todo empenho e motivação que ele tentava transmitir as
pessoas.
Isso porque o desdobramento astral não depende da vontade de alguém.
Desdobrar o ego é relativamente fácil, mas para desdobrar o corpo
astral, como ensina o Mestre Samael, primeiro é preciso possuir um corpo
astral e quantos de nós temos um corpo astral? Estou falando em termos
de humanidade, pode ser que aqui nessa sala, grande parte de nós tenha
um corpo astral porque um dia já forjou. Porém está tão doente, acabado
pelos milênios de lama onde estamos rolando que praticamente perdemos
todos esses poderes, então quem se empenhar a trabalhar com meditações,
pranayamas, mantralizações, em dois anos, se trabalhar diariamente,
passa a ter essas experiências.
Se cairmos em fascínio, isso se tornará nosso inimigo e provavelmente a
causa de nosso fracasso na iniciação, até podemos sair em astral, mas
aquele que se deixa fascinar se atirará ao mar pelo canto da sereia e
vai morrer afogado. Ulisses, que não era bobo, pediu para ser amarrado
ao mastro do seu navio, outros marinheiros que estavam com ele,
deixaram-se atrair pelo canto da sereia e atiraram-se ao mar, morrendo
afogados.
O mundo astral derrota a muitos incautos, esses que se fascinam pelas
belezas, paraísos que se podem encontrar. Essa não é a finalidade da
Gnose, o objetivo não é desdobrar o corpo astral ou o ego, isso serve
para qualquer escolinha nas esquinas, para os espaços esotéricos pop.
O objetivo da Gnose é autorealização, eliminar seus defeitos, tornar- se
uma pessoa virtuosa, um santo, um casto, alguém que se estabelece no
Vazio, encarna seu Buda íntimo e para alguns do seu Cristo intimo, de
acordo com o caminho que eleger ao longo da iniciação. Isso é a Gnose,
não é ensinar alguém a desdobrar, a ter poderes isso é decorrência
natural de uma prática que se faz e que precisa ser feita.
Tudo precisa ser construído, essa construção faz-se da mesma maneira que
um pedreiro constrói uma casa, tijolo por tijolo, são horas e horas de
meditação todos os dias sem falhar, isso é um trabalho concreto, não é
fantasia. Fantasia é você ler livros e é uma das maiores dentro da
Gnose, pois não é carregando todos os livros de Gnose nas costas que
alguém vai se iluminar.
Sair em astral com o ego consciente não é prova nenhuma, é algo
concreto, isso é verdade, mas não é prova de avanço espiritual.
Porque muitos percorrem as iniciações maiores sem se dar conta, de
consciência adormecida, não porque são adormecidos, mas porque os
adeptos vigiam muito zelosamente a liberação dos aprendizados que
recebemos nos mundos superiores. Nem tudo que nos é ensinado nós
trazemos ao cérebro físico, porque eles não deixam e às vezes são
surpreendidos quando alguém consegue furar esses bloqueios que eles
utilizam para a nossa própria proteção.
De alguma maneira, eles tentam evitar que acabemos nos fascinando com
essas experiências e esquecendo-se do verdadeiro trabalho, que é
desenvolver o fogo interior, Kundalini, que é a base de todo trabalho
iniciático. Não estou falando desse chamado desenvolvimento espiritual,
porque hoje em dia todo mundo fala: "ah... Porque isso é bom para meu
desenvolvimento espiritual". Mas que desenvolvimento espiritual é esse
que as pessoas falam?
Acham que é ler livros, participar de alguns rituais debaixo de uma
árvore, participar de uma cerimônia externamente realizada em algum
templo Budista, Rosa Cruz, Teosófico, isso é o chamado desenvolvimento
espiritual dessas pessoas? Então eles estão a milhões de anos-luz da
realidade.
Quando, em Gnose, se fala em desenvolvimento espiritual, ele é medido,
esse metro é o fogo que cada um porta dentro de si, "com a vara que
medirdes sereis medidos". Quando um adepto quer medir o avanço de um
discípulo, por um processo, eles sacam o Kundalini da coluna de uma
pessoa e medem, assim como nós, com uma fita métrica, medimos a altura
de uma cerca, com os olhos espirituais vê-se dessa forma. Não é vago,
não é "ah... Ser vegetariano é muito bom pra meu desenvolvimento
espiritual", é capaz de morrer de inanição, conquistar alguma
enfermidade de deficiência vitamínica antes de se desenvolver
espiritualmente.
O único desenvolvimento reconhecido na Loja Branca é medido pelo fogo,
todos nós começamos como simples alunos e eles sabem dessa condição de
recém chegados ou então de lutadores antigos que, por razões kármicas,
não conseguiram maiores avanços. Nesse caminho, primeiro paga-se o karma,
ou o grosso do karma, para depois se ter direito aos tesouros do
espírito. Imaginem por um momento que se Deus ou a Lei fossem
imprudentes a tal ponto de liberar os tesouros espirituais a uma pessoa
que não pagou suas dívidas ainda, vocês fariam isso? Emprestariam
dinheiro para um conhecido enganador? Se nós aqui não fazemos isso,
muito menos a Lei Divina que nos conhece por dentro e por fora.
Os princípios são idênticos, o que se faz aqui com aquilo que se faz lá,
eles fazem tudo com perfeição, nós aqui o máximo que podemos buscar é a
excelência no fazer, esforçar-mos muito para ter um bom resultado
achando que aquilo é a perfeição, mas bem longe se está da perfeição.
Agora os adeptos, diferentemente, só aceitam a perfeição. Nos iniciados
até a terceira iniciação maior há muito tolerância. As coisas lá são
muito precisas, adequadas ao raio, à natureza, ao caráter e ao grau de
cada um de nós.
Se tivermos fantasias durante o dia, elas tornam-se sonhos à noite e não
necessariamente isso é uma experiência concreta, parece concreta, mas
porque estamos adormecidos não temos capacidade de saber se ela é
concreta, podemos ter a impressão de que era algo real, mas é só uma
impressão.
Muito cuidado com essas "experiências" . Cada qual deve encontrar a sua
motivação para fazer o seu trabalho, mas com a seguinte ressalva, não
busque resultado, pois o resultado fugirá. Devemos fazer nosso trabalho
da mesma forma que fazemos nosso alimento o qual comemos todos os dias
para manter o corpo saudável, da mesma maneira tem que se alimentar o
espírito para que tenha saúde, força e energia para trabalhar em seu
mundo. Assim como o corpo trabalha aqui, o espírito trabalha lá, a alma
trabalha lá, são três mundos distintos, corpo, alma e espírito.
Oxalá isso seja o suficiente para acordarmos, fazer práticas. Esse é o
ultimo ano, o ano definitivo, o ano que representa o transpor do umbral
dos nossos trabalhos.
* O texto acima é uma cópia íntegra (feitas algumas alterações para dar
o formato de texto), da conferência ditada por Karl Bunn, presidente da
Fundação Samael Aun Weor - www.fundasaw. org.br - realizada no dia
09/01/2007, por meio do programa Paltalk, via Internet.
Equipe:
Transcrição de texto: Mariana Cunha. Copydesk: Wagner Spolaor
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