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O que vale é a
intenção?
por Reniyah Wolf
Assim como todas as outras coisas apresentadas aqui por mim, elas são “a
minha verdade” mas não precisam ser necessariamente a “sua verdade”.
Sim, é um tanto quanto chocante imaginar que nossas intenções não valem.
Nossa sociedade, como um todo, age baseada em intenções. Quando alguém
comete um crime e é levado a julgamento, o Juiz e o juri sempre
consideram a “intenção”. Nós mesmos não levaremos em conta muitas coisas
ruins que alguém nos fizer porque “tiveram boas intenções”, “estavam
tentando ajudar”. Normalmente ficamos decepcionados quando fazemos algo
com boa intenção e tudo explode “em nossa cara”, pois não foi recebido
como esperávamos. A idéia geral é que deveríamos ser tolerantes e
compreensíveis com os outros.
Eu irei tentar explicar meu entendimento. Na verdade, acho que o uso da
palavra “intenção” não está corretamente colocado. Intenção é realmente
algo muito maior - na própria inserção do processo co-criativo de
consciência. Nós temos a “intenção” sobre o que desejamos criar – uma
premissa, um desejo, uma idéia, “o que nós queremos”. O que estamos, na
verdade, discutindo aqui são “motivos”. O PORQUÊ disso. Agora, neste
ponto da minha jornada, o porquê de qualquer coisa não importa
realmente. È apenas um ponto de interesse às vezes.
A grande realidade é que nós criamos os cenários onde contracenamos uns
com os outros aqui na Terra, a fim de experimentarmos “Quem Somos Nós”
em oposição ao “Quem Não Somos”, ambos individualmente e coletivamente.
Nós estamos numa realidade virtual, uma ilusão, embora pareça muito
real. A grande resposta para qualquer “PORQUE” é que de alguma forma nós
o escolhemos.
Para viver numa integridade maior, precisamos ir além das definições
dualisticas de certo e errado, bom e mau. Como todos podemos ver, tudo
isso está “nos olhos de quem vê”. Aquilo que alguém acredita estar
correto, pode estar errado para outro, na dualidade. Esta é a natureza
do Carma. Qualquer julgamento que alguém faça, rotulando de certo ou
errado, bom ou mau, esse alguém precisa experimentar AMBOS os lados da
polaridade. Esta é também a base de que voce “acabará mergulhando
naquilo que voce resiste”.
O Universo/Criação é na verdade muito preciso em suas leis. Não importam
quais sejam os seus motivos, quando voce decide o que é certo ou errado,
bom ou mau, no momento que voce rotula, voce está criando um cenário
onde irá experimentar os dois (carma). Então quando voce considera os
motivos e intenções dos outros, “está tudo certo porque ele(a) não
intencionou me prejudicar” ou “isso foi um acidente”, voce está operando
em dualidade (carma).
Para operar em uma dimensão maior, além das energias do Carma/dualidade,
é necessário praticar, cultivar, esforçar-se para viver a vida na
premissa de “não importa o que os outros façam, o que importa é como eu
respondo, eu escolho o que “ser-fazer-ter” neste exato momento”. Este é
um ponto difícil para os humanos-obviamente, estamos acostumados a fazer
as coisas na forma da dualidade. Nós fomos ensinados, até mesmo em
nossas lições pelos Trabalhadores de Luz que deveríamos nos esforçar
para sermos amorosos e compassivos com nossos companheiros humanos. As
pessoas tornaram-se muito confusas com isso, pois amarmos uns aos outros
não significa ser gentil ou ser capacho do outro. As pessoas não
entendem como isso, que basicamente afirma que o “EU” é a única coisa
que importa, pode ser aplicado. Isto parece egoísmo e interesse próprio
a menos que examinemos esta questão bem de perto. Quando voce se coloca
na área do que os outros estão fazendo, e se é certo ou errado, voce
está exatamente voltando à dualidade. Quando há “um errado” e “um
certo”, há também culpa, vergonha, arrependimento. Se voce puder focar
sua atenção no exposto acima, esforçando-se em praticar em sua vida o
“eu escolho”, voce sairá das emoções de baixa frequência.
É assim que vivo minha vida. De acordo com o que eu sinto e de acordo
com o que eu escolho em cada momento. É assim que nosso trabalho com
Metatron é conduzido. Agora, eu posso ver que essa é a única forma que
funciona, que o caos do nosso mundo cresce da definição de cada um do
que é certo ou errado. Nunca estaremos todos de acordo a respeito das
coisas, a Unicidade não acontecerá desta forma. A forma do
carma/dualidade é ter juízes, leis, árbitros; examine os motivos e
procure por opiniões, e tente determinar um padrão para o certo e
errado. Voce nunca encontrará. A ÚNICA forma é que cada um de nós
torne-se responsável por si mesmo, para vivermos na nossa mais alta
integridade, e mais ninguém. Não podemos controlar os outros, não
podemos determinar o que é certo ou errado para eles. Podemos somente
“escolher” para nós mesmos.
Fazendo as nossas próprias escolhas estamos honrando a nós mesmos,
vivendo na nossa mais alta integridade, respeitando o espaço e o livre
arbítrio dos outros. Escolher por nós mesmos significa escolher o que
iremos ou não iremos experimentar em nosso espaço, significa amar e
honrar a nós mesmos colocando limites, e dizer às pessoas “tudo bem se
voce fizer isso, é direito seu por seu livre arbítrio, mas eu não
escolho experimentar voce fazendo isso no meu espaço”. Pensar a respeito
dos motivos dos outros confunde tudo, leva à culpa, vergonha,
arrependimento. É muito mais fácil livrar-se de tudo isso e se
perguntar: “O que eu escolho experimentar ser-fazer-ter neste momento?”.
As crianças são um bom exemplo. Eu aprendi a aplicar esta premissa “Eu
escolho”com minha filha e seus amigos . As crianças estão sempre
aprontando alguma coisa e nós acabamos permitindo que eles continuem
porque são nossas crianças. Nós as amamos.
Um exemplo simples: Voce está conversando com alguns amigos em sua sala
de visita. Junior começa a se comportar mal, interrompendo a conversa e
brincando com coisas que não deveria, talvés derrame o seu drink. Voce
“escolhe” deixar o Junior fazer isso? Provavelmente não. Deve haver
muitas razões para que Junior esteja agindo desta forma. Talvez ele
esteja cansado, não conseguiu cochilar. Talvez ele tenha comido muitos
doces. Talvez ele tenha se sentido negligenciado porque voce está
conversando com seus amigos ao invés de dar atenção a ele, talvez ele
tenha assistido um show na TV que o motivou. Muitos pais irão considerar
o “porquê” disso e talvez mudem sua forma de reagir.
“Junior não deu uma cochilada hoje, e isso é minha culpa então eu não
devo ser muito duro com ele”. Talvez voce o repreenda de forma leve, e
ele continua a fazer o que está fazendo. A mesma coisa com o doce,
talvez voce se sinta mal porque não deveria estar se divertindo, deveria
estar na verdade tomando conta do Junior. Voce o acalma, talvez
ofereça-o um “suborno’. Talvez voce até peça para seus amigos irem
embora porque voce se sente culpado em não dar atenção a ele. Pode ser
que voce está mentalmente revendo seu “manual para os pais” tentando
determinar a melhor maneira de lidar com Junior a fim de não
traumatizá-lo para o resto de sua vida. Muito provavelmente Junior irá
fazer a mesma coisa novamente e os amigos virão outra vez à sua casa. Os
pais irão procurar mais motivos, mais porquês, mais explicações, e o
problema não se resolverá. Junior provavelmente te levará quase à
loucura, enquanto voce procura pelos porquês do comportamento dele e
tenta achar as soluções.
Aqueles dentre voces que participaram do “Redesenhando a paisagem
interior” irão lembrar de Metatron falando sobre remover todas as coisas
exceto o que realmente “é”. Quando voce fizer isso olhe apenas para o
que realmente “é”. A necessidade de saber o porquê e entender os motivos
deve ser eliminada.
O que “é” em nosso exemplo é que voce está recebendo amigos e Junior
está incomodando. Primeiro de tudo, voce “escolheu” ter o Junior
incomodando? Provavelmente não. Voce tem o direito de “escolher” receber
seus amigos em sua casa com paz e tranquilidade prevalecendo? Com
certeza sim. Junior é também um ser humano com vontades próprias e tem o
direito de “escolher” como irá agir em qualquer ocasião. Como voce
resolve este conflito de vontades ?
Se voce terá sucesso em aplicar esta premissa, então voce PRECISA saber
que Junior tem o direito de agir como está agindo. Voce precisa
transcender o julgamento, o desejo de fazer Junior “certo ou errado”, e
da mesma forma com voce. A sala de estar é seu espaço. Junior está
violando os limites. Não importa “porque” ele está fazendo isso, exceto
como ponto de interesse que voce possa ter em assegurar que ele dê uma
cochilada ou coma menos doce nas próximas vezes.
Isto tudo é a respeito “Do que voce escolhe fazer nesta situação”. Como
voce escolhe fortalecer seu próprio espaço. Admitindo que Junior tem seu
próprio quarto, onde é o espaço que ele não poderá ferir a si mesmo
fisicamente, minha escolha seria pegá-lo e levá-lo até o quarto e
trancar a porta se fosse necessário, e deixá-lo lá decepcionado ou mesmo
com raiva, muito embora o desejo dele seja expressar-se na luz de seu
direito de livre arbítrio. Com a certeza de que voce não o julgou e não
o reconheceu como errado, voce está honrando a si mesmo e também ao
Junior. Voce criou seu próprio espaço e reforçou as barreiras, Junior
aprendeu alguma coisa sobre o que acontece quando se entra no espaço do
outro (cruzar as barreiras). Provavelmente ele pensará duas vezes antes
de fazer isso novamente. Sem envolver julgamento, nem certo-errado, sem
motivos, sem envolver intenções, simplesmente o que “é”.
Muitos de nós vivem a vida toda sem fazer escolhas. Nós não delimitamos
nossos espaços, porque não respeitamos e amamos a nós mesmos o
suficiente para fazermos isso. Nós não temos as nossas condições e
acordos do que pode ser feito dentro ou fora. Nós escolhemos reforçar ou
não nosso espaço baseados nos motivos das outras pessoas. “Por que
fizeram aquilo conosco?”, “devemos perdoar ou não?”, “como deveremos
responder baseados nos motivos dos outros?”, “se eu fizer isso estará
certo, se eu fizer aquilo estará errado?, pode estar ou não dependendo
dos motivos do outro?..” A vida fica muito confusa assim, isso perpetua
a emoção da culpa, da vergonha, do arrependimento. Eu sei porque eu sou
humana, eu vivi por muitos anos operando no default (sem fazer
escolhas). Quando voce baseia a sua ação com os motivos dos outros, voce
está desperdiçando sua força.
Eu estou trabalhando com este princípio do “Eu escolho” em torno de
cinco a seis anos. As coisas não acontecem de uma vez ou particularmente
rápido. O programa vai fundo, o medo vai fundo. O conceito da “Escolha”
é praticamente desconhecido neste plano. É basicamente sobre amor
próprio e respeito próprio. As pessoas precisam aprender a amarem-se o
suficiente para ver que “Eu escolho” é um direito do livre arbítrio, não
um privilégio ou um tratamento ocasional concedido pelo além. “Eu
escolho” é a nossa Divindade em ação. Quando nós exercitamos o nosso
direito de escolher, nós conseguimos de volta a nossa força. Quando
exercitamos o nosso direito de escolher nós nos alinhamos com nosso Guia
interno.
O princípio “Eu escolho” é aplicável em qualquer área de nossa vida,
qualquer situação. Todos nós, todos os seres humanos têm o direito ao
livre arbítrio. A pessoa que cometeu o mais despresível ato tem o
perfeito direito de agir assim, porque este é um plano de livre
arbítrio. Aqueles caras lá fora com roupas escuras têm o direito de
fazerem o que fazem, pois este é um plano de livre arbítrio, que
significa que todos, encarnados ou não, podem fazer tudo o que quiserem.
A cor da camiseta não importa. Entre as sociedades da terra existem
certos acordos a respeito das coisas. Estes acordos são chamados “leis”,
nas quais certas coisas são consideradas “erradas” pela maioria, e são
passíveis de punição. Todas as pessoas têm o livre arbítrio de
manterem-se dentro da lei ou quebrar a lei. Existem também consequências
estabelecidas por quebrarem a lei. Existem acordos comuns e todos nós
concordamos com eles como partes da sociedade onde vivemos.
Suponhamos que um ladrão entre em minha casa. Já é tarde da noite e ele
pensa que eu estou dormindo, porém eu não estou. Ele faz isso pelo seu
livre arbítrio, mesmo que tenhamos leis a respeito disso. Se o ladrão
tem livre arbítrio eu também tenho. O ladrão cruzou a barreira do meu
espaço, minha porta trancada. Eu preciso escolher o que fazer a respeito
disso. O motivo que o levou a invadir a minha casa tarde da noite não
interessa. Não interessa se ele está tentando obter alimento para sua
família faminta, ou se é um viciado procurando por dinheiro para drogas.
Agora eu tenho escolhas a fazer a respeito do ladrão ter invadido a
minha casa.
Eu posso escolher me esconder no closet e desejar que ele não me
encontre, até que ele vá embora e eu chame a polícia. Eu posso escolher
pular a janela e ir até a casa do vizinho procurar ajuda. Eu posso
escolher ligar para a polícia imediatamente e esperar que ele não me
pegue. Eu posso pegar minha arma debaixo da cama e atirar nele, se eu
não tiver uma arma eu posso escolher qualquer outra coisa que possa ser
usada como arma e atingí-lo na cabeça, eu posso simplesmente escolher ir
de encontro a ele e dizer ”o que voce está fazendo em minha casa? Saia
agora mesmo!”
Há várias escolhas que alguém pode fazer numa situação como esta,
sentindo muito medo ou muita coragem, todas igualmente válidas. Haverá
uma escolha entre as muitas disponíveis que será a perfeita para mim,
que estará alinhada com a jornada da minha alma e com o que eu escolhi
experimentar nesta vida. Poderia ser qualquer uma delas. Cabe a mim
escolher. Se eu fizer a escolha não tão perfeita para mim, eu pegarei
uma trilha fora da minha jornada, terei mais com o que lidar do que se
tivesse escolhido a escolha perfeita, porém, eventualmente, poderei
voltar para a minha jornada escolhida.
Normalmente é considerado um erro invadir a casa dos outros. Mas há
pessoas que acham isso certo dentro de seu ponto de vista. Eu conheci
alguns assaltantes e criminosos que se justificaram totalmente por
fazerem o que fizeram. Preconceito racial e religioso normalmente é
usado para justificar crimes. A desigualdade social também é usada como
justificativa para cometer crime – motivo do Robin Hood. Se um ladrão
invadir sua casa voce vai perguntar a ele o que ele está fazendo lá? A
explicação dele determinará se voce vai convidá-lo a sentar-se e
serví-lo leite quente com biscoitos ou não? Ele ultrapassou as
barreiras, violou seu espaço. A coisa imediata a fazer é escolher como
voce irá reagir.
No meu mundo é possível que eu o convidasse a sentar e tomar um leite
com biscoitos, mas não seria por seus motivos ou explicações. Eu faria
isto porque eu não tenho medo e nem resisto a ladrões, se eu encontrasse
um em minha casa, eu saberia que ele está lá por uma razão específica.
Eu faria isso por que senti vontade de “escolher” desta forma, eu confio
em meus sentimentos, confio muito em meu guia interior. Muitos de voces
não confiam, então eu não sugiro que voces tentem fazer isso com quem
invadir suas casas.
Dar muito valor a palavras, motivos e explicações não será muito útil a
voce. Às vezes as palavras são bonitas, derretem o coração, mas a
energia é tão horrível quanto um peixe podre, outras vezes as palavras
são rudes, não muito expressivas, mas a energia por trás delas é muito
bonita. Somente o sentimento te dirá a verdade. O “sentimento” nunca
mente.
Amar a si mesmo e respeitar a si mesmo implica em reconhecer e reforçar
seu próprio espaço. Agindo de outra forma voce se coloca fora de sua
mais alta integridade e dentro da dualidade. É preciso amar a si mesmo
para que possamos amar aos outros. É assim que funciona, voce não pode
amar aos outros a menos que ame voce mesmo o suficiente para honrar a
sua verdade e delimitar o seu espaço, uma vez amando a si mesmo o “amar
e ser compassivo com os outros” acontece naturalmente, porque voce está
no mais alto fluxo de Unicidade. Voce simplesmente não tem que pensar o
que é errado ou o que é certo, o que é responsável e o que não é, o que
é apropriado e o que não é, voce pode simplesmente ser quem voce é e
viver no Fluxo Divino, baseado no “Eu escolho”, voce sabe que o que
serve voce irá também servir o Todo, e que o que serve o Todo também irá
servir voce.
Não há conflitos de vontades.
Reniyah Wolf
Fonte:
http://loveandempowerment.com/intentions.html
Artigos: título original “Do Intentions matter?
Reniyah Wolf
Tradução: Márcia Barbosa – email:
b.bottura@terra.com.br
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