Retomando o Poder

Mensagem de Scott Rabalais, 11 Novembro de 2010

 

Talvez desde que os seres humanos têm habitado a Terra, a percepção dominante da realidade tem sido a da separação da consciência. Em grande parte, temo-nos visto como separados de uma existência externa. Temos aceite a percepção de que somos seres humanos isolados num vasto e insondável universo.

Fora da consciência da separação, temos criado várias instituições sociais e, em muitos casos, temos-lhes concedido o poder e a autoridade para determinar o curso das nossas vidas. Nós entregámos a nossa soberania a outros considerados mais sábios e poderosos, e submetemo-nos a nós próprios aos ditames da sua autoridade. Trabalhar o nosso caminho fora da teia das estruturas hierárquicas não tem sido nada menos do que um imenso desafio.

Felizmente, nesta era do despertar, muitos de nós estão a ouvir o chamado interior para se levantarem e se afastarem do que foi criado a partir de um sentido de separação. Ao reconhecermos a nossa natureza divina inerente, nós estamos a perceber que podemos reivindicar o infinito poder interior para responder à orientação harmoniosa e sincronista das nossas almas. Aquilo que afastámos no passado, estamos agora a reclamar como nosso. Estamos a retomar o nosso poder.

As instituições que se teceram nas fábricas das nossas vidas são, com frequência, vistas como facetas de uma realidade “permanente”. A crença dominante é que estas instituições são necessárias para guardar a ordem e manter o progresso em todas as culturas do mundo. Se nós questionamos a essência destas instituições ou o seu fundamento, encontramos geralmente uma forte resistência, se não um inquérito sobre a nossa sanidade!

A vasta maioria dos cidadãos do planeta está consciente de apenas um nível de consciência, e que é a consciência da separação. Ao transcendermos este nível e movermo-nos para a consciência da unidade, podemos ver claramente a origem das instituições que cobrem a paisagem da nossa realidade colectiva. É desta vista do topo da montanha que podemos perceber a manifestação do pensamento institucional da consciência de separação. Deste mesmo topo da montanha podemos ver como estas mesmas instituições desapareceriam em grande parte numa manifestação colectiva de consciência da unidade.

As instituições aqui mencionadas não são todas inclusivas, no entanto representam uma amostra daquelas construções sociais que são prevalecentes em todo o mundo na nossa época actual. Elas estão listadas sem ordem de importância ou de impacte, mas o que elas em geral partilham no seu estado actual é o desconhecimento predominante do homem da sua natureza espiritual inata. Curiosamente, como falhámos em ver o poder interior criámos, em vez disso, instituições sociais, nenhuma das quais reflecte presentemente a nossa divindade interior. Embora não possa ser determinado com total certeza o que seria manifestar a partir de uma consciência de unidade colectiva dominante, é seguro assumir que as nossas instituições actuais ou mudariam dramaticamente ou desapareceriam completamente.

1 . Religião

Consciência de Separação – O homem existe como subscritor ou seguidor dentro dos ditames de uma religião e das suas crenças específicas, mandamentos e rituais. Em muitos sistemas religiosos, a qualidade da vida a pós a morte é determinada pela disposição em seguir as regras e práticas como prescritas pela religião. Uma característica fundamental de praticamente todas as religiões é a adoração ou a submissão às exigências de uma reconhecida figura de autoridade derradeira. Os Textos Sagrados, aceites como “a voz de Deus”, são reverenciados e utilizados como um código para a vida diária.

Consciência de Unidade – O homem é um deus em si mesmo, completo e inteiro em cada sentido. Como um ser de pura consciência, ele não é mais nem menos do que qualquer outro aspecto da existência. Na consciência da unidade, o homem serve como a sua própria autoridade suprema, e não deseja governar qualquer pessoa ou dominar – nem de ser governado. Ele é direccionado apenas pelas orientações emanadas da sua própria alma ou pela natureza divina inerente. Não há medo da morte ou da vida após a morte na compreensão de que ele é um ser eterno.

2. Governo/Direito/Política

Separação – O homem estabelece uma estrutura hierárquica de governação e de direito e selecciona indivíduos para realizarem as responsabilidades de diversos cargos de autoridade. Enquanto as formas de governo variam em todo o mundo, todas são baseadas na ideia de que uns poucos seleccionados falam e agem por muitos. A regra do direito é aplicada principalmente pela força física, a pena de prisão e outras formas de punição. Em muitas áreas, a regra do governo e do direito é imposta a um cidadão com pouco respeito pela sua liberdade de expressão.

Unidade – Há pouca ou nenhuma necessidade de um governo autoritário ou de uma lei feita pelo homem. O homem já não é direccionado pelo ego ou pelo intelecto; em vez disso, ele é consciente e manifesta a partir da sua consciência de unidade. Nenhuma pessoa detém autoridade sobre outra, pois cada pessoa reclama a sua responsabilidade como um ser divino – e funciona como tal. Como resultado, existe uma harmonia natural entre todos os cidadãos do mundo, com pouca necessidade da força da lei. Como cada ser serve como um canal para o fluxo da abundância universal, há um decréscimo de necessidade de um corpo de autoridade para redistribuir a riqueza. Através da consciência da unidade, formam-se redes de trabalho ou grupos através de uma atracção natural para uma causa ou um projecto.

3. Económico/Bancário

Separação – Uma crença na posse impera. O homem aprende numa idade tenra que o dinheiro é necessário para a sobrevivência. A competição por empregos, lucros e estatuto sucedem-se. A procura do dinheiro torna-se a motivação predominante para as acções de muitos. Mais é sempre melhor, e a ambição cria a necessidade de regras e de regulamentos que tentam proibir tomar o que não é possuído legalmente. Actualmente, os interesses económicos fazem parte de todas as instituições e para além delas.

Unidade – Os sistemas financeiros deixam de ser necessários; o dinheiro desaparece em grande parte da face da terra. Na consciência da unidade, o homem toma e usa apenas o que é apropriado com base na “acção correcta” ou orientação da alma. Esta orientação interior serve também para direccionar cada ser humano capaz para a sua contribuição natural e alegre para a humanidade. Na consciência da unidade, floresce uma civilização baseada na harmonia e sincronicidade construídas sobre uma base de inteligência infinita.

4. Negócios/Comércio

Separação – O lucro é a chave para manter e construir um negócio. A linha de fundo financeira fala com frequência mais alto do que o impacto do negócio na Terra e a sua população. A produção é conduzida pelo que o consumidor deseja, enquanto o desejo, por sua vez, é fabricado por publicidade falsa ou sedutora. Dominar a concorrência torna-se frequentemente um tema que ultrapassa a pura intenção e a finalidade do negócio.

Unidade – Todos os negócios e comércio são conduzidos como uma manifestação do divino, sem levar em conta o ganho pessoal. Com a economia já não sendo mais um factor, todas as empresas têm disponíveis o que quer que seja preciso para realizar a sua finalidade como uma entidade criativa. A realização é derivada da expressão divina e da criatividade que beneficia o colega humano. Em vez de se centrar nos lucros e nas perdas, o foco muda para a criatividade e para a partilha.

5. A Força Militar

Separação – Armas e sistemas de armas são construídos e utilizados por países e organizações para os meios de protecção e de agressão contra ameaças. A consciência da separação do homem cria as polaridades de amigo/inimigo, bom/mau, certo/errado, deste modo ele age de acordo com elas, frequentemente com força letal. Os políticos, os líderes militares e os soldados identificam-se fortemente com os sistemas de crenças que servem como um impulso à acção violenta.

Unidade – Com a polaridade dissolvida na unidade, o homem vê toda a existência como uma extensão de si mesmo. Assim, qualquer acção contra o outro é tomada como contra ele mesmo. O medo dissipa-se no amor, e, subsequentemente, a necessidade de forças militares desaparece. Os outros não são vistos pelos seus rótulos e identificações, mas pela sua natureza como seres divinos. Ameaças, agressões, violência e criminalidade passam a ser história.

6. A Educação

Separação – A educação serve em primeiro lugar para treinar e expandir o intelecto e ensinar as formas de uma cultura. Na maior parte das escolas, os estudantes são sujeitos a testes e notas, enquanto lhes é oferecido um currículo homogéneo. É dado pouco reconhecimento à originalidade, à criatividade e à aprendizagem específica das tendências de cada indivíduo. O foco principal dos sistemas de educação é doutrinar os estudantes para carreiras e empregos.

Unidade – Em vez da função principal da educação ser doutrinar os estudantes com conhecimento, o propósito da educação muda no sentido de descobrir aquilo que já está dentro do estudante. Os alunos são expostos a práticas que encorajam o reconhecimento do seu próprio eu interior, bem como das suas expressões e manifestações únicas. Eles tornam-se conscientes do seu propósito (s) para encarnarem no planeta e são preparados conforme a necessidade para o cumprimento de tais propósitos. Não são administrados testes ou notas; ao invés disso, cada indivíduo é honrado e respeitado pelo seu caminho único de auto-realização.

7. Médica/Drogas

Separação – A cura é, em grande parte, administrada por médicos e profissionais de saúde que muitas vezes ignoram a interconexão entre espírito, mente e corpo. Em vez disso, o corpo é tratado como uma máquina, separado das forças da mente e do espírito. Como resultado, os tratamentos são administrados através do uso de drogas ou da mais recente tecnologia. Um grande número de seres humanos sofrem de doenças numa base regular, com os cuidados de saúde a tornarem-se uma grande despesa.

Unidade – Em geral, o homem existe num estado de harmonia relativamente ao espírito/mente/corpo. No entanto, se a des-facilidade acontece, a abordagem de cura é holística identificando a causa subjacente da doença. A cura não é administrada através de drogas, mas por uma introspecção orientada propositadamente. Os casos médicos são raros, devido ao alinhamento do homem com a consciência e a sua divindade inerente.

8. Média/Entretenimento

Separação – Muitas agências de notícias subscrevem uma abordagem baseada no medo, centrada na morte, na pobreza, na criminalidade, desemprego e assim por diante. Praticamente todas as formas de entretenimento, quer sejam filmes, desportos ou música, são baseadas em temas com uma forte identificação com a consciência da separação. O foco principal dos média e do entretenimento tornou-se o ganho financeiro, com uma audiência massiva mundial (que percebe através da consciência da separação) a participar como consumidores e espectadores.

Unidade – A abordagem dos média e do entretenimento dirige-se às expressões que elevam, inspiram e despertam. A cooperação é preferida à competição. Os seres humanos expressam-se por uma questão de se expressarem, e partilham de forma natural os seus talentos e dons com os outros. Em vez de se concentrarem em temas de separação mental, as expressões reflectem a divindade de que eles são originários.

Criar uma realidade baseada na consciência da unidade não é um sonho de contos de fadas, mas uma certeza quando a consciência colectiva se eleva. Podemos continuar a “beliscar” os sistemas actuais que são, em grande parte, originados de uma consciência colectiva de separação, ou podemos avançar para um “mundo novo”, tanto interna como externamente.

Como pode cada um de nós contribuir para esta nova realidade? Primeiro e mais do que tudo, devemos assistir a nossa própria auto-realização e crescer cada vez na consciência da unidade expandida. A partir daí, nós movemo-nos de forma natural para aquilo que é originado divinamente e para longe do que tem origem na percepção da separação. Provavelmente, encontramo-nos dissociados daquelas instituições que representam a consciência da separação colectiva. Nós somos estranhos por um tempo, até que a nossa nova realidade venha à tona.

A partir da consciência da unidade, nós servimos como arquitectos de uma realidade fundada no amor e livre do medo, das crenças, do ego, da violência, da ambição e da ganância. Vivemos num estado divino como seres de liberdade, verdade, harmonia, paz, sabedoria e abundância. À medida que retomamos o poder que demos a outros, recuperamos a nossa natureza autêntica como seres divinos.


Direitos de Autor Scott Rabalais – É concedida permissão para copiar e distribuir este artigo de forma livre na condição de que o nome do autor e o seu endereço electrónico (www.scottrabalais.com) sejam incluídos no mesmo.

Tradução: Ana Belo  anatbelo@hotmail.com

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